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sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Aproveitar.

Às vezes pensamos e sentimos que estamos a fazer as coisas pela última vez. E queremos aproveitar cada momento, cada minuto, cada segundo. Queremos viver tudo, para mais tarde as recordações habitarem na nossa memória. Para mais tarde a memória nos aquecer do frio e da distância que nos separa das pessoas que mais gostamos. Mas por vezes não o consigo fazer. Deixo as vivências passarem ao meu lado, sem eu lhes dar a devida atenção. Aninho-me no conformismo de mim mesma. E deixo-me assim estar, sem reagir. Vejo o mundo em meu redor a viver, as coisas a seguirem a sua ordem natural. E vejo-me a mim mesma a observar. Apenas a observar. Depois há aqueles momentos em que há um clique. Que me faz acordar. E me faz ter vontade de viver. Viver para mais tarde recordar. Para quando a distância de vocês, pessoas importantes, me gelar a alma. Então quando se dá esse clique, eu tenho vontade de aproveitar todos os momentos, pois sei que mais tarde serão eles que me irão acompanhar quando eu seguir a minha vida, o meu rumo. Rumo esse que poderá não ser aqui. Não neste lugar. E quando eu estou empenhada a fazê-lo, quando estou com vontade de aproveitar, de viver, eis que aparecem mais uns quantos obstáculos. Eis que tudo muda, eis que o dia-a-dia se torna mais difícil de viver. Eis que a vida nos tira aquilo de que mais gostamos, aquilo que nos fazia sorrir. Algo imprescindível para a nossa felicidade quotidiana. E o empenho que tinha em aproveitar a vida começa de novo a extinguir-se. A desvanecer, a morrer. Sim, porque eu queria aproveitar aqueles que poderão ser os últimos momentos. Aproveitar vivamente, intensamente. “Espremer o sumo dos minutos, dos segundos”. Mas não o consigo fazer. Não me conformo. Não me está a ser dada oportunidade de passar o tempo que me resta com pessoas que me são tanto. Há algo que me falta.

(NicoleCarvalho)

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