Há certas alturas na vida que não sabemos bem aquilo que se passa dentro de nós. Aquilo que sentimos, aquilo que deixamos de sentir, aquilo que pensamos confunde-se com aquilo que não pensamos. Reboliço total na nossa mente. “Quem és tu?” três simples palavras que juntas contribuem para essa total confusão que reina no nosso pensamento. Sim, há alturas na vida que não sabemos bem explicar quem somos aos outros, mas principalmente não sabemos explicar quem somos a nós próprios. Há um certo misto de agitação e serenidade dentro de nós. Tristeza e felicidade. Opostos que se tornam cúmplices sinónimos. Não estamos bem onde estamos, e estamos bem onde não estamos. Essa sensação que nos invade percorre-nos até ao mais ínfimo interior do nosso ser. Deixa-nos incapazes, impotentes perante as mais rotineiras situações da vida. Bloqueia-nos o sistema, comprime o nosso agir, o nosso pensar. Essa sensação apenas nos cede algo. Algo que nos consome de tal forma que não raciocinamos. Algo que às vezes nos leva a tirar conclusões surpreendentemente irracionais. Conclusões que não nos levam a lugar algum. Esse algo que nos é cedido é a dúvida. A incerteza. O medo. A insegurança. Afinal, o que somos para os demais que nos rodeiam? E o que somos para nós próprios? Essa é a árdua tarefa. Descobrir aquilo que significamos para nós próprios, aceitarmo-nos como tal e só depois conseguiremos dar-nos a conhecer aos outros. Serei capaz de cumprir essa tarefa? Desejo que a resposta seja sim.
(NicoleCarvalho)
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