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terça-feira, 9 de novembro de 2010

Lágrimas ocultas.

Se me ponho a cismar em outras eras
Em que ri e cantei, em que era querida,
Parece-me que foi noutras esferas,
Parece-me que foi numa outra vida...

E a minha triste boca dolorida,
Que dantes tinha o rir das primaveras,
Esbate as linhas graves e severas
E cai num abandono de esquecida!

E fico, pensativa, olhando o vago...
Toma a brandura plácida dum lago
O meu rosto de monja de marfim...

E as lágrimas que choro, branca e calma,
Ninguém as vê brotar dentro da alma!
Ninguém as vê cair dentro de mim!

(Florbela Espanca)

Sim, eu choro. Sim, eu sofro. Sim, eu choro e sofro em silêncio. Sim, o meu olhar é triste. O meu sorriso pouco convincente. As minhas lágrimas são "lágrimas ocultas". Ninguém as vê. Apenas eu. Refugio-me em mim própria. Eu sou uma pessoa, e uma pessoa nem sempre é feliz. Eu não sou feliz, mas talvez um dia o venha a ser. Até lá, continuarei a deixar brotar as minhas "lágrimas ocultas" sem ninguém se aperceber.

(NicoleCarvalho)

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