Todos nós temos as nossas fragilidades, faz parte do ser humano. Ninguém é perfeito, por muito que o aparente ser. Cada pessoa é única, mas há algo que todos temos em comum, por muito que tentemos encobri-lo: fraquezas. O ser humano é algo incrivelmente complexo, nunca ninguém é o que aparenta ser na sua plenitude. Simplesmente não é, por muito que tentemos argumentar contra isso. Todos nós tentamos camuflar os nossos “pontos fracos”. Seja de que maneira for. Um falso semblante sempre sorridente. Frieza. Aquele ar de “durão”. Ou aquele papel do brincalhão… Durante toda a nossa vida vamos descobrindo novas e melhoradas formas de o fazer. Acabamos por o conseguir tão bem, que com o passar do tempo isso se torna quase uma necessidade. Disfarçamos tão bem, que quase nem nós damos conta das nossas fragilidades. E isso tem um sabor doce-amargo. É bom ninguém saber daquilo que nos torna mais fracos, é bom que nos vejam como uma pessoa forte, capaz de ultrapassar tudo. Mas no fundo, só nos estamos a enganar a nós próprios, porque as fragilidades continuam lá, fazem parte de nós. E por muito bem que estejam “enterradas” elas irão manifestar-se quando menos esperamos, irão vir ao de cima nos momentos mais críticos e poderão levar-nos a cometer erros. As nossas fragilidades advêm não só da nossa própria personalidade, como também de experiências do nosso passado, de fases menos boas que nunca esqueceremos… Sim, porque uma fase menos boa da nossa vida nunca é esquecida, podemos atenuar a dor que nos provoca, mas esquecer é algo que não acontecerá. Todos nós já passámos por momentos de sofrimento que fazem de nós pessoas mais débeis e aprendemos a lidar com elas. Aprendemos a construir uma capa que nos protege. Cada um usa essa capa de maneira diferente. Cada um aprende a adaptá-la às várias situações da vida. Mas todos a utilizamos apenas com um objectivo: camuflar aquilo que nos magoou no passado e que agora, obrigatoriamente, faz parte da pessoa que somos. O passado vai-nos acompanhar para sempre, não há como apagá-lo, temos apenas de ter a capacidade de lidar com ele e tentar não deixar que ele interfira no nosso presente e no nosso futuro. Não é fácil, não vou ser hipócrita e dizer que o é, porque é mentira. Ultimamente tenho utilizado muito a capa protectora que eu criei para mim mesma, tal como muita gente neste mundo. Tem resultado em certas situações, noutras nem por isso. Já deixei que as minhas fragilidades interferissem na minha vida. Mas apenas quando estou sozinha é que as deixo tomar conta de mim por completo, é nesses momentos que eu dou por mim a sucumbir de uma forma que ninguém nunca viu. Depois, volto a colocar a minha capa e ninguém saberá de nada... Mas é assim que vai continuar, porque, por muito que o neguem, nunca ninguém é o que aparenta ser na sua plenitude.
(NicoleCarvalho)

Sem comentários:
Enviar um comentário