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sábado, 14 de abril de 2012

Qual o meu mundo?

Esta minha sede insensata de compreender o mundo é algo completamente fora do vulgar. Cada vez tenho mais dúvidas acerca da banalidade da minha existência. Esta minha natureza complexa de ser simplesmente não se encaixa nos padrões estabelecidos pela sociedade, encarados como normais. As questões acerca do “tudo” nunca obtêm uma resposta satisfatória. Pairam na minha mente incompreendida como espectros teimosos, obstinados. Depois segue-se o “nada”, que me preenche cada vez mais. Contraditório, mas é a minha realidade neste momento. É o nada que me tem acompanhado. É o nada que me completa. E a apatia anda de mão dada comigo, é a minha melhor amiga. Ela tem-me ajudado a passar o tempo, porque eu olho para o mundo e só ela é que me compreende. Ando cansada, farta do mundo e das pessoas. Quanto mais as conheço, mais venero a solidão. E a apatia tem sido a minha melhor amiga, pois tem sido a minha arma contra o desgosto de viver num mundo como este; a aversão de partilhar o ar que respiro e o chão que piso com gente que nem o merece. Não, eu não sou mais que os outros. Mas também acho que não sou menos e estou farta de ter calma, farta das injustiças. O desespero toma conta de mim de uma forma desenfreada. Os meus sentidos já não têm mais sentido. Todas as minhas tentativas falhadas de entendimento acerca do funcionamento da humanidade estão a consumir-me. Desisti de tentar perceber o porquê do ser dito racional ter chegado ao ponto que chegou. Por vezes questiono-me se estou a ver o mesmo mundo através dos meus olhos que o resto das pessoas vê através dos seus. E chego à conclusão que não. Talvez a normalidade não seja o meu ponto forte. Talvez haja uma falha, uma lacuna qualquer no meu cérebro, na minha maneira de ser. Algo que faz com que não acompanhe nem aceite o andamento dos acontecimentos ditos “banais” desta sociedade. Sempre me senti deslocada, desencaixada. Como a tropeçar ao longo da minha vida. Eu nunca me senti normal, talvez porque não o sou mesmo. E então? Terei de descobrir qual o meu mundo. Terei de encontrar a minha normalidade algures embrenhada nesta minha complexa maneira de ser e ver as coisas. Será que algum dia me sentirei integrada neste mundo que não é o meu?

(NicoleCarvalho)

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