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sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Abstracto.

"Abstraio-me na abstracção deste ser abstracto que sou. Quem me conhece? Ninguém! Eu própria não me sei definir, qual pássaro perdido dentro do seu ninho. Mistifico-me pelas palavras, complexifico-me pelas histórias que construo sobre mim mesma. Desnudo as emoções ainda, quando o pensamento não me deixa correr livre, qual rio que corre indubitavelmente para o mar. As emoções arranham, incomodam, assolapam o organismo, o coração frenético a bater descompassadamente. Na febre dos dias o ódio misturado com sangue. O amor a entranhar-se neles e a curar as feridas. E disserto. Mas mais uma vez não encontro respostas, a peça do puzzle incompleto de mim. Gosto de me ver como um nada enigmático e cheio de luz à espera de outros tantos nada amontoados na febre, na cólera dos dias. Apetece sussurrar baixinho para dentro de mim. Mas o mim é oco e não responde. As paredes do eu não gritam ecos, não me imitam ou respondem... como penso hoje, não será o meu agir amanhã. Hoje assim. Amanhã assado. E o tempo a correr atrasado para a sonolência da morte, sempre dois ou três passos à minha frente. A intensidade. Almejo-a. A intensidade, o fervilhar na cólera do tempo, seja eu quem for.
E olho-me ao espelho ainda, qual madrasta malévola de um conto de fadas perdido nos risos da infância. O meu rosto no espelho, um eu que não sou eu, para além dos olhos. A fonte, a essência do eu que o tempo oxidará.
Transcorre nos dedos do tempo o sangue das feridas abertas da vida e eu quero alardear ainda a intensidade. Ser intensa dia após dia, espremer o sumo dos minutos, dos segundos. Para esquecer. E perder para voltar a encontrar."

(este texto não é da minha autoria , mas não sei o nome de quem o escreveu)

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