Tenho saudades da inocência que me caracterizava quando vivia no perfeito mundo colorido da infância. Tenho saudades do brilho no olhar quando fazia mais uma fantástica descoberta. Quando via respondido mais um dos tantos porquês. E sorria. Sorria de felicidade. Os meus olhos sorriam também. Tudo em mim sorria. Tudo em mim era genuinamente cintilante. Verdadeiramente puro. Todo o meu eu era feliz. Tenho saudades dos tempos em que vivia de sonhos cor-de-rosa. Em que acreditava que tudo era o bem, e nada poderia vir arruinar a minha felicidade. Nada poderia vir derrubar a minha inocente convicção de que a vida era simplesmente fantástica. Que os “maus” eram sempre castigados e os “bons” sempre venciam. Tenho saudades de acreditar com a doce segurança de que havia finais felizes. De que havia histórias acabadas com o tão desejado “viveram felizes para sempre”. Esse é o tão ansiado final que todas as crianças sonham alcançar. Mas com o passar do tempo, essas crianças de inocência no olhar vão percebendo que a vida não é nenhum mar de rosas. E essa inocência vai-se perdendo. A sinceridade, a simplicidade, a naturalidade… Tudo isto se vai desvanecendo aos poucos. Eu já me mentalizei disso. A vida ensinou-me que nem sempre os “bons” vencem e os “maus” são castigados. Cresci, mudei e concebi a ideia do mundo real. Um mundo coberto de injustiça, sonhos desmoronados, dor, sofrimento. Um mundo que nos deixa com tantos pontos de interrogação. Que vagueiam na nossa mente, e que não encontram resposta. Nada é perfeito. Descobri que o mundo que eu pintara um dia, não existe. Esse mundo onde vivia confortavelmente no pensamento de que tudo iria acabar bem. Esse mundo onde era feliz. Esse mundo para onde quero voltar. Estou cansada. Cansada deste mundo desgastante. Cansada de tentar ser feliz e haver sempre algo que me trava. Que me impõe barreiras. Sim, eu tenho saudades daquele mundo perfeito. Tenho saudades daquele brilho no olhar. Tenho saudades daquele sorriso.
(NicoleCarvalho)

uau, adorei nicole. está fantástico. mesmo! daniela martins
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